Apenas 35% das empresas progrediram na adaptação ao novo sistema

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Reforma Tributária: Apenas 35% das Empresas Avançaram na Adaptação ao Novo Sistema

Faltando menos de três meses para o início da fase de testes da reforma tributária, apenas 35% das empresas brasileiras avançaram no processo de adaptação ao novo sistema de impostos. Um estudo recente identificou que 63% das companhias ainda estão na fase de planejamento ou nos primeiros estágios de preparação, e uma parcela menor sequer iniciou as ações necessárias.

Preocupação e Desafios na Transição

De acordo com levantamento realizado entre julho e agosto com profissionais da área tributária corporativa, 69% dos entrevistados manifestam preocupação com as mudanças e esperam impactos significativos da reforma nos próximos cinco anos. No entanto, a maioria ainda não traduziu essa preocupação em medidas concretas de adaptação.

Segundo Edinilson Apolinário, líder da área de reforma tributária da Thomson Reuters, a preparação é fundamental, uma vez que o novo sistema de tributação será totalmente digital, ampliando a complexidade dos processos devido ao grande volume de dados envolvidos. A adequação irá além da área tributária, influenciando sistemas de gestão empresarial, como ERPs, e plataformas de relacionamento com clientes e fornecedores.

Tecnologia e Parcerias São Cruciais

A pesquisa destaca que a tecnologia e o suporte de parceiros especializados são decisivos para o sucesso na transição. Cerca de 66% dos entrevistados consideram a adaptação dos documentos fiscais eletrônicos aos novos tributos (IBS, CBS e IS) uma tarefa complexa, devido ao impacto sobre diversos sistemas corporativos.

Além disso, 27,9% das empresas contrataram consultorias especializadas para analisar o impacto da reforma nos preços e contratos, enquanto mais da metade busca apoio externo para compreender as mudanças regulatórias. Esse movimento tem se tornado um diferencial competitivo no mercado.

Urgência e Integração Entre Áreas

A partir de 2026, as empresas enfrentarão o primeiro grande teste: a emissão de documentos fiscais e o cumprimento das obrigações acessórias sob o novo modelo, ainda que com alíquota simbólica. Em 2027, a operação plena do sistema será obrigatória, exigindo preparação antecipada para evitar imobilizações e penalidades.

A integração entre áreas como fiscal, contábil, compras, vendas e tecnologia será indispensável, visto que o novo ambiente digital demandará automação eficiente e gestão de grande volume de dados.

Fim dos Incentivos Fiscais e Novos Desafios Competitivos

Outro ponto importante é o fim gradual dos incentivos fiscais, como os ligados ao ICMS, que serão eliminados até 2032. Conforme Apolinário, a ausência desses benefícios mudará a dinâmica competitiva, tornando a eficiência operacional e o uso estratégico da tecnologia diferenciais fundamentais para as empresas.

A substituição dos tributos ISS/ICMS pelo IBS e PIS/COFINS pela CBS está entre os principais impactos esperados, correspondendo a 38% das alterações apontadas pelas empresas. Outros 46% referem-se à gestão de créditos tributários e incentivos, especialmente pela transição para o regime de caixa e a eliminação de benefícios regionais.

Reforma Como Marco na Operação Empresarial

Mais do que uma simples mudança tributária, a reforma representa uma transformação na forma de operar das empresas, promovendo a digitalização de processos, centralização de apurações, redução da complexidade e maior transparência. Contudo, o elevado grau de preparo técnico e tecnológico será determinante para o sucesso nessa nova etapa. A preparação antecipada é urgente.

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