Governo Impõe Novas Restrições ao Saque-Aniversário do FGTS
O governo anunciou mudanças nas regras do saque-aniversário do FGTS, que devem impactar o volume de crédito oferecido por bancos digitais e médios, ao mesmo tempo em que fortalecem a sustentabilidade do fundo destinado à habitação popular. A partir de 1º de novembro, os trabalhadores poderão realizar até duas operações de adiantamento por ano, com valores mínimos de R$ 100 e máximos de R$ 500 por parcela, além de um limite de até cinco retiradas em 12 meses.
Segundo o Ministério do Trabalho, a medida visa preservar o caixa do FGTS, principal fonte de financiamento da habitação voltada à baixa renda no país. Em análise, o Bradesco BBI projeta que a retenção de recursos no fundo poderá alcançar R$ 84,6 bilhões até 2030. Para o banco, as restrições são positivas para construtoras focadas em projetos habitacionais populares, pois fortalecem o papel do FGTS no setor.
Por outro lado, o Goldman Sachs destaca que as limitações podem prejudicar os bancos digitais e médios que utilizam os adiantamentos do FGTS como colateral para empréstimos. Atualmente, o estoque de crédito com garantia no FGTS totaliza cerca de R$ 90 bilhões, concentrado em instituições como Nubank e Banco Inter. O banco alerta que o novo limite para as parcelas provavelmente reduzirá a origem de novos empréstimos nesse segmento.
Atualmente, mais de 21,5 milhões de trabalhadores optaram pelo saque-aniversário, número que já supera os 20,4 milhões que permanecem no modelo tradicional, com saque somente em caso de demissão. As novas regras têm como objetivo equilibrar o uso do FGTS, protegendo recursos destinados à habitação popular, enquanto ajustam o mercado de crédito que se desenvolveu a partir do saque-aniversário.



