Amazon planeja substituir mais de meio milhão de empregos por robôs até 2027
A Amazon está prestes a promover uma nova transformação no ambiente de trabalho americano, com a substituição de mais de 500 mil empregos por robôs nos próximos anos. Documentos internos e entrevistas com executivos revelam que a empresa pretende automatizar grande parte de suas operações, reduzindo a necessidade de contratar centenas de milhares de trabalhadores.
Atualmente, a força de trabalho da Amazon nos Estados Unidos supera 1,1 milhão de funcionários. No entanto, a equipe de automação da companhia projeta evitar a contratação de pelo menos 160 mil pessoas entre 2023 e 2027, economizando cerca de 30 centavos em cada item processado. A meta é que, até 2033, a empresa consiga vender o dobro dos produtos atuais sem aumentar significativamente o quadro de funcionários.
Estratégia aposta na automação e em centros de distribuição com poucos funcionários
A empresa está investindo em instalações pioneiras, como o centro de distribuição em Shreveport, Louisiana, considerado seu armazém mais avançado. Nessa unidade, cerca de mil robôs permitem uma operação muito mais automatizada, reduzindo em até 75% a necessidade de trabalho humano. A previsão é expandir esse modelo para cerca de 40 outras instalações até o final de 2027.
Com o uso crescente de tecnologia avançada, a Amazon espera processar mais itens com menos trabalhadores, promovendo um replanejamento que tem potencial para transformar os empregos do setor logístico em posições mais técnicas e especializadas.
Impactos sociais e posicionamento da empresa
Ciente dos possíveis impactos nas comunidades onde atua, a Amazon já desenvolveu planos para mitigar os efeitos da automação, incluindo ações de maior envolvimento comunitário. A companhia também orientou seus executivos a utilizar termos como “tecnologia avançada” em vez de “inteligência artificial” ou “robô” para tratar do tema internamente e em suas ações externas.
Em nota, a Amazon afirmou que os documentos divulgados representam apenas a visão de um grupo interno e que a empresa planeja contratar 250 mil trabalhadores para a temporada de festas, sem detalhar quantas vagas serão permanentes. A empresa também negou que tenha orientado a evitar determinados termos e destacou que o engajamento comunitário não está vinculado diretamente à automação.
Especialistas apontam mudança estrutural no mercado de trabalho
Segundo economistas especialistas em automação, como o professor Daron Acemoglu, do MIT, a aposta da Amazon em tecnologia para substituir uma grande parcela da mão de obra pode ser um marco com efeitos amplos no mercado de trabalho americano. O avanço da automação em uma empresa com o porte da Amazon tende a influenciar o setor como um todo, potencialmente reduzindo o número de empregos tradicionais e criando oportunidades mais especializadas.
Desafios e perspectivas para os trabalhadores
A Amazon reforça que a automação gera novos empregos pautados em habilidades técnicas e espera que a maior parte dos trabalhadores assalariados e gerentes desenvolva conhecimentos em engenharia e robótica. A empresa conta atualmente com cerca de 160 técnicos de robótica na instalação de Shreveport, com salários iniciais acima de US$ 24 por hora, enquanto os demais funcionários horistas começam ganhando cerca de US$ 19,50.
Programas internos de treinamento já qualificaram cerca de 5 mil pessoas em mecatrônica desde 2019, uma estratégia vista pela empresa como fundamental para preparar sua força de trabalho para o futuro.
Amazon e o futuro da automação no comércio eletrônico
A transição para operações cada vez mais automatizadas faz parte de um esforço da Amazon para aumentar a eficiência e reduzir custos, especialmente após o crescimento acelerado das compras online durante a pandemia. Com cerca de um milhão de robôs trabalhando globalmente, a empresa projeta que suas instalações funcionarão cada vez mais como fábricas avançadas, redefinindo o perfil do emprego no setor de logística e comércio eletrônico.



