Airbus e Air France negam homicídio culposo em novo julgamento sobre desastre do voo AF447
Airbus e Air France se declararam inocentes de homicídio culposo no início do novo julgamento sobre o desastre do voo AF447, ocorrido em 2009, que resultou na morte de 228 pessoas. O caso será analisado em tribunal de apelações em Paris até o final de novembro, após recurso dos promotores contra a absolvição dada em 2023.
Novo julgamento após absolvição em 2023
Em 2023, um tribunal francês de primeira instância absolveu ambas as empresas da acusação de homicídio culposo relacionada à queda do Airbus A330, que caiu no Atlântico durante voo do Rio de Janeiro para Paris. O desastre ocorreu em 1º de junho de 2009, e todos os passageiros e tripulantes morreram. O recurso dos promotores abriu caminho para a reavaliação do caso no tribunal de apelações.
Impactos e lembranças do desastre
Durante a abertura do julgamento, familiares das vítimas relembraram o trauma da tragédia, enquanto os CEOs da Airbus e Air France prestaram homenagens, destacando o profundo impacto do acidente. A presidente-executiva da Air France, Anne Rigail, afirmou que o acidente está “gravado para sempre em nossas memórias”, e o CEO da Airbus, Guillaume Faury, ressaltou que o setor aéreo mantém investimentos constantes para garantir segurança.
Causas técnicas e acusações de negligência
Investigações indicaram falha na reação dos pilotos à perda temporária dos sensores de velocidade (“sondas Pitot”) congelados, que desencadeou um estol aerodinâmico e a queda da aeronave. O primeiro julgamento trouxe à luz discussões prévias entre Airbus e Air France sobre problemas recorrentes nesses sensores. Apesar de apontar quatro atos de negligência da Airbus e um da Air France, o juiz concluiu que não havia nexo causal suficiente para responsabilização criminal.
Próximos passos e implicações futuras
Nas próximas semanas, promotores e advogados das famílias tentarão provar no tribunal que os atos de negligência tiveram ligação direta com o acidente. O advogado Sebastien Busy, representando parentes das vítimas, enfatizou a importância de estabelecer a culpa criminal, mesmo após 16 anos do desastre. A multa máxima prevista na legislação para homicídio culposo corporativo é de 225 mil euros, mas o impacto simbólico e moral para as famílias é o foco principal do novo julgamento.
O caso AF447 permanece como um dos mais debatidos na aviação, tendo impulsionado mudanças técnicas e aprimoramento no treinamento de pilotos. A polêmica destaca a tensão entre responsabilidades da fabricante e da companhia aérea na segurança dos voos. O veredito final do tribunal de apelações está previsto para o fim de novembro, com potencial para influenciar práticas e regulamentos do setor aéreo.



