Advogado ambiental afirma que crédito de carbono é fundamental para viabilizar a descarbonização.

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Brasil pode se tornar referência global em soluções climáticas, diz especialista

O Brasil tem potencial para deixar de ser apenas um exportador de commodities e se consolidar como uma referência mundial em soluções climáticas e tecnológicas. Essa visão é compartilhada por Luiz Gustavo Bezerra, advogado especializado em Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, que destaca o novo marco regulatório do mercado de carbono e o avanço das tecnologias de captura e armazenamento de carbono (CCS) como oportunidades estratégicas para atrair investimentos e reposicionar a economia brasileira no cenário global.

Segundo Bezerra, o país conta com uma matriz energética altamente limpa, com cerca de 90% de sua matriz elétrica baseada em fontes renováveis, a mais limpa entre as 20 maiores economias mundiais. Além disso, o Brasil é um dos cinco países megadiversos, abrigando até um terço da biodiversidade global em diversos biomas, característica que pode ser convertida em valor econômico sustentável.

Experiência em captura e armazenamento de carbono

O Brasil também acumula experiência significativa em CCS. A Petrobras opera desde 2008 o maior programa de reinjeção de CO₂ do mundo, localizado no pré-sal, com 67,9 milhões de toneladas de dióxido de carbono já armazenadas. Essa técnica, inicialmente usada para aumentar a produção de petróleo, contribui para a redução das emissões por barril produzido e serve de modelo para projetos de descarbonização industrial.

Bezerra ressalta o papel fundamental do mercado de créditos de carbono para viabilizar financeiramente esses projetos. Enquanto soluções baseadas na natureza têm valores entre US$ 15 e US$ 30 por tonelada de CO₂, os projetos de CCS podem alcançar créditos de até US$ 150 por tonelada, destacando o grande potencial econômico dessas tecnologias.

Estratégia híbrida para a neutralidade climática

Para atingir a neutralidade climática, o especialista defende uma estratégia híbrida que combine tecnologias de CCS com Soluções Baseadas na Natureza (NbS), como reflorestamento e restauração de biomas. Ele destaca que essas abordagens são complementares e essenciais para o sucesso das políticas climáticas.

Marco regulatório impulsiona mercado bilionário

O avanço no marco regulatório é outro elemento crucial para o desenvolvimento do mercado de carbono no Brasil. A Lei nº 15.042/2024 instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), que deve estar plenamente operacional até o final da década. O sistema prevê um mercado compulsório, semelhante ao europeu, combinado com um mercado voluntário, que permite a geração de créditos por projetos privados.

Bezerra observa que, embora a aprovação da lei tenha sido um passo importante, é necessária a criação de uma governança eficaz e de uma agência reguladora para assegurar o funcionamento do mercado.

Impactos setoriais e perspectivas de investimento

Prevê-se que o mercado brasileiro de carbono movimente bilhões de reais nos próximos anos, estimulando inovação, acesso a financiamento e aumento da competitividade internacional. Setores intensivos em emissões, como siderurgia, cimento, fertilizantes e refinarias, serão diretamente afetados, enquanto áreas como agropecuária, bioenergia, alumínio e aviação sustentável devem se beneficiar da nova onda de investimentos.

COP30 como palco para demonstração de avanços

A COP30, marcada para novembro de 2025 em Belém, será uma oportunidade para o Brasil apresentar seus avanços em sustentabilidade e descarbonização. Bezerra destaca que o país poderá desmistificar dúvidas sobre a sustentabilidade da produção agrícola e de biocombustíveis.

Com a atenção internacional voltada para o Brasil, o especialista acredita que o país pode transformar sua matriz energética limpa e biodiversidade em ativos financeiros de alcance global, tornando-se exportador de soluções climáticas e tecnológicas. “O aço ou o alumínio produzidos aqui já são mais competitivos pelo uso de energia renovável. O Brasil pode, sim, assumir esse protagonismo,” conclui.

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