Relatório aponta falhas globais na agenda climática e avanço insuficiente em energias renováveis
Um recente diagnóstico global sobre a ação climática revela que nenhuma das 45 metas avaliadas está sendo cumprida adequadamente, indicando fracasso nas iniciativas para conter os impactos do aquecimento global. O estudo, analisado por Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, destaca avanços tímidos e preocupações graves, como o desmatamento desenfreado.
Desempenho global em ação climática
O relatório “Estado da Ação Climática”, elaborado por seis centros de pesquisa, avalia 45 indicadores relacionados às políticas e ações ambientais no mundo. Segundo Astrini, em nenhum dos parâmetros o progresso está alinhado com o necessário para equilibrar o planeta, resultando em um “placar de 45 a zero” contra a humanidade.
Apesar de alguns indicadores mostrarem crescimento, como o aumento do uso de veículos elétricos e da energia solar, o ritmo desses avanços está abaixo do exigido. Por exemplo, o incremento em energias renováveis deveria ser o dobro do observado até agora.
Impactos críticos: aquecimento global e desmatamento
As áreas que mais preocupam são o aquecimento global e o desmatamento, cujo ritmo de desaceleração é entre 9 e 10 vezes mais lento que o necessário. O relatório revela que mundialmente se perde uma área equivalente a 22 campos de futebol por minuto devido ao desmatamento, índice alarmante para especialistas e investidores ligados a sustentabilidade.
Decisão polêmica e risco para conferência climática
Astrini também criticou a recente aprovação da licença do Ibama para exploração de petróleo na Foz do Amazonas, sinalizando que a decisão ocorre numa conjuntura delicada, às vésperas da conferência do clima sediada pelo Brasil. Ele alerta para o potencial agravamento dos efeitos ambientais negativos e o impacto negativo sobre o evento internacional.
Implicações para o mercado e investidores
O cenário de atraso nas metas climáticas pode intensificar pressões regulatórias e impacto em setores ligados a recursos naturais e energia. Investidores devem monitorar desdobramentos em políticas ambientais, que podem influenciar mercados de commodities, energia renovável e ativos sustentáveis, além de afetar índices e decisões corporativas globais, tornando imprescindível a atenção à agenda verde para estratégias de longo prazo.



