Alta nos preços dos ovos no Brasil e no mundo é explicada por desequilíbrio entre oferta e demanda
O Brasil, assim como diversos países, enfrentou um aumento significativo nos preços dos ovos entre o final de 2024 e o início de 2025. Internacionalmente, o fenômeno foi apelidado de "eggflation" devido à influência expressiva do produto nos índices inflacionários globais.
Segundo Leandro Pinto, fundador da Mantiqueira, em entrevista ao podcast "Raiz do Negócio", o aumento dos preços resulta principalmente da combinação entre oferta restrita e demanda crescente. A dinâmica fundamental do mercado, em que preços sobem quando a demanda supera a oferta, explica o cenário atual.
A demanda global por ovos tem aumentado, ao mesmo tempo em que surtos de gripe aviária afetaram a produção em vários países. Nos Estados Unidos, por exemplo, a redução da oferta devido à contaminação das aves levou à importação de ovos brasileiros para suprir a escassez e conter o aumento dos preços.
No Brasil, embora os impactos da gripe aviária tenham sido mais controlados, a produção também enfrentou desafios. Pinto ressalta que, em situações de queda na produção, os produtores acabam vendendo os ovos mesmo com prejuízo, para evitar desabastecimento no mercado.
Ciclo produtivo longo dificulta rápido equilíbrio de mercado
Leandro Pinto destaca que o setor produtivo de ovos é marcado por ciclos longos, o que limita a capacidade de resposta rápida a variações na oferta. O ciclo de produção das galinhas poedeiras pode levar até dois anos, e a preparação de aves aptas para postura demanda pelo menos seis meses.
Por essa razão, a reposição de aves doentes e a retomada do equilíbrio entre oferta e demanda não acontecem de maneira imediata. "Não é como regular uma máquina que se pode ligar ou desligar rapidamente. Estamos lidando com seres vivos", explicou o executivo.
Este cenário reforça a complexidade na estabilização dos preços dos ovos, que permanecem sensíveis a fatores sanitários e à dinâmica global de oferta e demanda.



