OpenAI planeja expansão bilionária em infraestrutura de inteligência artificial
Logo após o lançamento do ChatGPT, no final de 2022, o presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, revelou a funcionários estar no centro de uma nova revolução tecnológica, projetando a empresa como possível “a mais importante da história do Vale do Silício”. Após um acordo recente com a Microsoft, que eliminou limites sobre a arrecadação de recursos, Altman anunciou ambiciosos planos para ampliar a infraestrutura de IA da companhia, visando atender a uma demanda crescente.
A transformação da OpenAI marca sua passagem de um laboratório focado em pesquisa para um gigante corporativo preparado para captar grandes investimentos e abrir capital em bolsa futuramente. Em recente transmissão, Altman detalhou o compromisso com o desenvolvimento de 30 gigawatts de capacidade computacional, que demandarão investimentos estimados em US$ 1,4 trilhão. Ele também projeta que a OpenAI poderá adicionar 1 gigawatt de poder computacional por semana, um volume que atualmente teria custo superior a US$ 40 bilhões por gigawatt, com a expectativa de redução desses custos pela metade a médio prazo.
Analistas avaliam que a escala pretendida por Altman é necessária para que a OpenAI mantenha competitividade no setor de IA, mas observam que o executivo revelou poucos detalhes sobre como concretizar esses projetos. A empresa busca formas criativas de financiamento e tem realizado acordos complexos, incluindo parcerias com a Nvidia, o que gerou críticas sobre possíveis superavaliações do crescimento do mercado de inteligência artificial.
Em janeiro, Altman anunciou o projeto Stargate, uma iniciativa de infraestrutura de IA orçada em US$ 500 bilhões, conduzida em parceria com empresas como Oracle, SoftBank, Nvidia e CoreWeave, que visa a construção inicial de 10 gigawatts de capacidade em data centers. Atualmente, essa meta foi ampliada para 30 gigawatts. O projeto foi apresentado em evento na Casa Branca, com a participação do então presidente dos EUA, que Altman já havia criticado anteriormente.
Para sustentar os investimentos planejados, Altman afirmou que a receita anual da OpenAI precisará atingir centenas de bilhões de dólares, partindo de uma projeção de US$ 20 bilhões até o final do ano, o que demandaria um crescimento até dez vezes maior que o atual. A recém-criada Fundação OpenAI será responsável por direcionar parte dos recursos para pesquisa em aplicações sociais da IA, como tratamentos de doenças e resiliência da tecnologia, embora a viabilidade financeira desses planos ainda gere dúvidas.
Desde o sucesso do ChatGPT, a OpenAI deixou de ser uma organização exclusivamente sem fins lucrativos para se tornar uma empresa avaliada em cerca de US$ 500 bilhões, focada em sistemas de IA com potencial de impacto global. Altman, que não possui participação acionária significativa na empresa, vem ampliando sua influência no setor de tecnologia, embora tenha enfrentado críticas internas e externas. Em especial, o bilionário Elon Musk, cofundador e ex-apoiador da OpenAI, acionou judicialmente a empresa alegando desvio da missão original sem fins lucrativos, reforçando preocupações sobre a priorização do lucro em detrimento da segurança pública.
O percurso de Altman na OpenAI, que incluiu seu afastamento e retorno em 2022, será retratado em um filme de Hollywood previsto para o próximo ano, com o ator Andrew Garfield no papel do executivo. Enquanto isso, a empresa segue em processo de expansão e estruturação para financiar suas ambições no campo da inteligência artificial.



