Brasil propõe aos EUA suspensão temporária de tarifas sobre o café
O governo brasileiro apresentou formalmente aos Estados Unidos uma proposta para suspender temporariamente as tarifas impostas sobre produtos brasileiros, incluindo o café. A medida foi encaminhada na última semana, antecedendo o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, marcado para o próximo domingo, na Malásia.
Durante reunião em Brasília, realizada em 22 de junho, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, comunicou que a proposta foi entregue diretamente ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, além de autoridades do comércio americano, como o United States Trade Representative (USTR).
A iniciativa visa suspender a sobretaxa de 40% aplicada em agosto passado nas exportações brasileiras para os EUA. A expectativa é que o diálogo bilateral resulte em um acordo que beneficie o setor cafeeiro, que representa importante parcela da economia exportadora do país.
Além da suspensão temporária, há negociações para que o café seja incluído na lista de produtos isentos da sobretaxa. Atualmente, Trump aplicou uma tarifa de 50% que recai sobre o café brasileiro; com a isenção, essa taxação poderia ser reduzida para 10%, alinhada à tarifa padrão sobre importações em geral.
Segundo Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), os ministérios das Relações Exteriores, Agricultura, Fazenda e o MDIC estão alinhados para preparar a reunião entre os presidentes. Alckmin teria solicitado ao presidente Lula que aborde a suspensão tarifária na conversa com seu homólogo americano.
Caso a suspensão temporária não seja formalizada, o governo pretende continuar pressionando para a inclusão do café entre os produtos com isenção plena, seguindo exemplo de setores como o de celulose e madeiras, que já tiveram suas tarifas totalmente eliminadas na lista de exceções negociadas anteriormente.
Na reunião participaram, além de Matos e do diretor técnico do Cecafé Eduardo Heron, representantes do governo como a secretária de Comércio Exterior Tatiana Prazeres, o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços Uallace Lima, e o secretário-executivo da Camex Rodrigo Loureiro.
A proposta e o diálogo refletem a importância do café na pauta de exportações brasileiras e a busca por condições comerciais mais favoráveis em um cenário de tensões tarifárias entre Brasil e Estados Unidos.



