Empresas Globais Revisam Previsões de Custos com Tarifas Comerciais dos EUA
Antes da divulgação dos resultados do terceiro trimestre, empresas globais estimavam custos superiores a US$ 35 bilhões decorrentes das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. No entanto, muitas têm revisado suas projeções para baixo, diante de novos acordos que reduzem a exposição às tarifas implementadas durante a administração do ex-presidente Donald Trump.
A escalada tarifária dos EUA atingiu níveis inéditos desde a década de 1930, causando incertezas nas cadeias globais de suprimentos. Embora ameaças de novas tarifas persistam, o cenário vem se tornando mais claro, permitindo que as companhias ajustem custos, planejem ações estratégicas e até mesmo considerem repasses de preços.
Análise de declarações corporativas, registros regulatórios e teleconferências realizadas entre julho e setembro indicam que o impacto financeiro projetado pelos grupos empresariais para 2025 varia entre US$ 21 bilhões e US$ 22,9 bilhões, com um efeito adicional de quase US$ 15 bilhões previsto para 2026. Essas estimativas englobam cerca de 60 empresas relevantes no mercado global.
Apesar do valor total superar os US$ 34 bilhões calculados em maio, logo após a implementação das tarifas de abril, parte do aumento se deve a uma revisão da Toyota, que elevou sua previsão para US$ 9,5 bilhões. Paralelamente, outras empresas reduziram suas estimativas em resposta a acordos bilaterais que suavizam as tarifas da União Europeia e do Japão.
Fabricantes como Remy Cointreau, Pernod Ricard e Sony atualizaram suas projeções para baixo após esses acordos. Além disso, exceções foram concedidas a determinados países; por exemplo, somente um terço das exportações brasileiras está sujeita à tarifa de 50%.
O presidente-executivo da Stellantis, Antonio Filosa, declarou que as tarifas estão se tornando uma variável compreensível e gerenciável nos negócios, alinhando essa visão a um investimento de US$ 13 bilhões focado em ampliação da produção nos Estados Unidos. Em julho, a empresa já havia alertado para perdas estimadas em 1,5 bilhão de euros no ano devido às tarifas.
Para Andrew Wilson, secretário-geral adjunto da Câmara de Comércio Internacional, os recentes acordos indicam um possível “ponto de aterrissagem” nas tensões comerciais, embora a complexidade e a incerteza no ambiente global permaneçam elevadas.
Nas últimas semanas, o ex-presidente Trump chegou a sugerir a aplicação de tarifas adicionais de 100% sobre produtos chineses, mas posteriormente afirmou que tais medidas não seriam sustentáveis, atribuindo a Pequim a responsabilidade pelo impasse nas negociações bilaterais.
Esse cenário em transformação evidencia como as empresas estão se adaptando à volatilidade das políticas comerciais internacionais, ajustando suas estratégias para minimizar impactos financeiros e preservar a competitividade.



