Bolívia realiza eleição presidencial com fim de duas décadas de governo socialista e desafios econômicos
A eleição presidencial na Bolívia no domingo (18) marca o fim do ciclo de 20 anos de governos socialistas que levaram o país a uma crise econômica severa. Apesar do otimismo inicial de eleitores e investidores, a recuperação econômica enfrenta dificuldades significativas.
Desempenho dos mercados e expectativas
Os títulos soberanos bolivianos apresentam alta de quase 40% em 2025, entre os melhores retornos dos mercados emergentes, impulsionados pela expectativa de mudanças econômicas, independentemente do vencedor do segundo turno entre o senador centrista Rodrigo Paz e o ex-presidente conservador Jorge Tuto Quiroga. Os spreads dos títulos caíram cerca de oito pontos percentuais, segundo dados do JP Morgan Chase.
No entanto, a situação econômica permanece frágil, com inflação elevada, déficit fiscal crescente e severa escassez de dólares no país. O crescimento econômico apresentou contração de 2,4% no primeiro semestre de 2025, e a inflação acumulada até setembro superou 23%. A escassez de combustível agravou-se, prejudicando motoristas, agricultores e a indústria.
Desafios fiscais e sociais
Segundo o economista Jonathan Fortun, o próximo governo herdará contas públicas deterioradas e uma sociedade pressionada pela inflação e falta de recursos. Os candidatos terão de optar entre cortes fiscais imediatos e dolorosos ou reformas mais gradativas para tentar equilibrar as contas públicas.
A Bolívia enfrenta vencimentos significativos da dívida externa, incluindo um pagamento de US$ 333 milhões em março de 2026 e obrigações totais superiores a US$ 1,4 bilhão até 2028. Caso busque financiamento do FMI, o país pode enfrentar necessidade de reescalonamento da dívida e uma depreciação cambial acentuada, que elevaria o endividamento em relação ao PIB.
Perspectivas e propostas dos candidatos
Rodrigo Paz, que liderou a primeira rodada, aposta em um modelo de “capitalismo para todos” com maior atração de investimentos estrangeiros e benefícios sociais, incluindo a legalização da importação de veículos. Já Jorge Tuto Quiroga defende uma abordagem conservadora ortodoxa, atraindo eleitores de renda média desconfiados do partido socialista MAS, que dominou a política boliviana por anos.
Ambos os candidatos concordam na necessidade de eliminar subsídios aos combustíveis, permitir a desvalorização do boliviano e atrair capital privado para setores estratégicos como energia e mineração. No entanto, reformas constitucionais podem ser necessárias para flexibilizar o forte controle estatal vigente.
Impacto e implicações futuras
O resultado da eleição deve influenciar não apenas a trajetória econômica da Bolívia, mas também o posicionamento político na América Latina, onde outros países da região, como Chile e Colômbia, também realizam eleições com possível virada à centro-direita.
Investidores e mercados monitoram a transição, atentos à capacidade do novo governo em implementar reformas que controlem a inflação, restabeleçam o crescimento e resolvam a escassez de dólares e combustível. O equilíbrio fiscal e a gestão da dívida serão cruciais para evitar novo colapso econômico e garantir estabilidade no país.
A votação ocorrerá das 8h às 16h, com divulgação dos resultados preliminares prevista para as 20h do mesmo domingo.



