De que maneira a China pode impedir que qualquer nação integre a economia contemporânea

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China restringe exportação de terras raras e intensifica tensão comercial com EUA

O governo chinês anunciou, na última quinta-feira (9), novos controles sobre a exportação de terras raras, insumos essenciais para diversas tecnologias avançadas. A partir de 1º de dezembro, empresas estrangeiras precisarão de licença para exportar produtos que contenham mais de 0,1% de terras raras originárias da China, ou que sejam fabricados com tecnologia chinesa.

A medida repercutiu imediatamente nos Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump anunciou, na sexta-feira, a aplicação de uma tarifa adicional de 100% sobre produtos chineses e a restrição à exportação de softwares americanos para a China. Embora pareça um novo capítulo da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo, especialistas alertam para uma disputa mais profunda envolvendo o controle estratégico desses insumos.

A China detém mais de 90% da produção processada mundial de terras raras e seus derivados, usados em setores como tecnologia, automotivo e defesa. Segundo o ex-conselheiro sênior da Casa Branca, Dean Ball, o domínio chinês permite a Pequim o poder de excluir qualquer país do acesso a componentes essenciais da economia moderna. Para isso, a China investiu em uma cadeia produtiva robusta, mesmo assumindo custos financeiros e ambientais elevados.

Nos Estados Unidos, a escassez de terras raras já impacta a produção de automóveis, forçando algumas montadoras a reduzirem operações devido à dependência do fornecimento chinês. A tensão comercial, porém, vai além da questão dos minerais. Washington tem adotado medidas para restringir exportações de tecnologia, como semicondutores, para a China, além de impor taxas portuárias e desencadear investigações antitruste contra empresas chinesas e americanas.

Analistas destacam que, enquanto os EUA podem limitar o acesso atual da China a chips e componentes, a China tem capacidade de dificultar o desenvolvimento futuro dessas tecnologias ao controlar matérias-primas estratégicas. O economista Robin Brooks, da Brookings Institution, avalia que a China pode estar elevando suas apostas nas terras raras para pressionar o governo americano a recuar nas tarifas, dado o impacto negativo também sofrido por exportadores chineses.

Por sua vez, Pequim mantém uma postura firme, afirmando que não busca uma guerra comercial, mas está preparada para enfrentá-la. O ministério do comércio chinês ressaltou que os novos controles não representam uma proibição total das exportações, mas sim um exercício de soberania.

Para o ex-conselheiro Dean Ball, a situação representa uma oportunidade para que o resto do mundo desenvolva cadeias de suprimentos alternativas, que reduzam a dependência concentrada e aumentem a resiliência frente a decisões políticas de países específicos. Ele enfatiza que a oferta desses materiais pode se ajustar rapidamente se houver mobilização concentrada e investimentos estratégicos globais.

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