Governo Trump deve liberar socorro bilionário ao setor agrícola frente à guerra tarifária
O governo de Donald Trump avalia um pacote de ajuda superior a US$ 10 bilhões para o agronegócio americano, impactado pela guerra tarifária iniciada pela administração norte-americana, que elevou custos e provocou retaliações comerciais. A medida busca mitigar perdas especialmente em soja, milho, algodão e sorgo.
Impactos no agronegócio e mercado
As tensões tarifárias resultaram em queda nas exportações agrícolas, com destaque para a soja, que perdeu drasticamente compradores chineses — principal destino da commodity. Entre janeiro e agosto, as vendas dos EUA para a China recuaram para 200 milhões de bushels, ante 1 bilhão no ano anterior. Além disso, a escassez de mão de obra imigrante e a queda nos preços das commodities pressionam o setor, cujas despesas previstas para 2025 somam US$ 467,4 bilhões, um aumento de US$ 12 bilhões em relação a 2024.
No mercado financeiro, a notícia gerou cautela, com impacto potencial em setores ligados ao agronegócio. O socorro pode influenciar a demanda por insumos, movimentar ações relacionadas e afetar moedas correlacionadas ao comércio agrícola. No entanto, a turbulência nas negociações comerciais mantém volatilidade no dólar e nas bolsas.
Análises e próximas etapas
O governo ainda define a origem dos recursos para o pacote de ajuda, que pode ser anunciado nas próximas semanas, mas depende do contexto político, incluindo riscos relacionados a um eventual shutdown. A proposta inclui direcionar os recursos principalmente a produtores de soja, mas também a outros segmentos do agronegócio.
Paralelamente, a Casa Branca pretende pressionar a China para aumentar as compras de soja americana, buscando acordo no encontro entre Donald Trump e Xi Jinping na Coreia do Sul. Caso o acordo se concretize, a necessidade de socorro governamental tende a diminuir.
Enquanto isso, pedidos de proteção contra credores no agronegócio americano atingiram o maior nível desde 2021 no primeiro semestre, refletindo dificuldades financeiras crescentes no setor. Entre as opções em análise, está a possibilidade de repassar parte da receita gerada pelas tarifas sobre importados diretamente aos produtores agrícolas, como forma de compensação pelos efeitos negativos da guerra comercial.



