Associação afirma que adulteração da bebida é ilógica

3 Min Read

Crise por intoxicação de metanol no Brasil: criminosos focam em destilados, e cerveja artesanal é descartada como alvo

A recente onda de intoxicações por metanol no Brasil, que já contabiliza mais de 100 casos e 11 mortes, tem como foco principal bebidas alcoólicas destiladas, como vodca, gim e uísque, segundo investigações em andamento. A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e especialistas afirmam que a falsificação de cervejas com metanol não faz sentido econômico nem técnico para os criminosos.

A Abracerva destaca que a adulteração proposital de cerveja com metanol é facilmente detectável e não traria vantagem comercial, além de afirmar que as cervejas, artesanais ou industriais, seguem rigorosas normas de qualidade e segurança. Segundo a associação, o processo de fermentação da cerveja gera níveis insignificantes de metanol, dentro dos padrões internacionais de segurança.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recomendou à população evitar o consumo de bebidas alcoólicas destiladas, onde o risco de contaminação é maior, e ressaltou que a adulteração em cervejas é mais difícil devido à menor margem de lucro.

Especialistas explicam que o metanol, um composto tóxico com sabor e odor pouco perceptíveis, é mais facilmente disfarçado em destilados, que possuem alto teor alcoólico (30% a 40%) e sabor menos complexo. Já nas cervejas, com teor alcoólico baixo (4% a 6%) e maior complexidade aromática, qualquer adulteração química é mais fácil de perceber.

A Associação dos Cervejeiros Artesanais Paulistas (Acerva Paulista) reforça que, desde a contaminação da Cervejaria Backer em Minas Gerais, em 2020, o setor intensificou os cuidados para garantir a segurança do consumidor. Carlos Santana, presidente da entidade, também aponta que a crise atual pode estar relacionada às dificuldades econômicas do setor de bares e restaurantes provocadas pela pandemia, que levaram à troca frequente de fornecedores em busca de preços mais baixos, potencialmente comprometendo a segurança dos produtos.

O setor reforça a importância de manter rigor nos processos produtivos e de se relacionar apenas com fornecedores confiáveis e certificados, para evitar riscos à saúde pública e preservar a qualidade das bebidas alcoólicas no país.

Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *