MBRF seguirá dependente do mercado de carne de frango nos próximos anos
Formada recentemente pela fusão da Marfrig com a dona das marcas Sadia e Perdigão, a MBRF (MBRF3) deve continuar concentrando sua lucratividade no segmento de carne de frango nos próximos anos, possivelmente até 2029. A nova gigante brasileira do setor de alimentos enfrenta desafios no negócio de carne bovina, especialmente nos Estados Unidos, onde o rebanho está no nível mais baixo em cinco décadas, dificultando a recuperação do mercado.
Nos últimos dois anos e meio, o ciclo do frango apresentou margens excepcionalmente altas globalmente, devido a problemas genéticos que limitaram a oferta de aves, combinados ao custo reduzido dos grãos utilizados na ração. No Brasil, empresas como Seara e BRF chegaram a registrar suas maiores margens históricas, enquanto nos Estados Unidos, companhias como Pilgrim’s Pride e Tyson Foods também obtiveram resultados expressivos.
Apesar dessa tendência favorável para o frango, analistas alertam que as margens elevadas não devem se manter no longo prazo, o que pode afetar a valorização das ações da MBRF. Segundo relatório da XP Investimentos, liderado por Leonardo Alencar, as margens ajustadas de Ebitda do negócio da BRF devem mostrar uma leve queda nos próximos anos: de 17,1% em 2023 para 16,3% em 2024 e 15,3% em 2025.
Ainda que permaneçam positivas, a diminuição gradual da rentabilidade refletirá a normalização do ciclo do frango. Para os analistas da XP, a participação da BRF representará cerca de 80% do Ebitda da MBRF nos próximos dois anos, tornando esse segmento crucial para o desempenho financeiro e avaliação da empresa no curto prazo.
No setor de carne bovina nos EUA, representado pela National Beef, a perspectiva é de margens ainda comprimidas devido à escassez de gado. A margem Ebitda da unidade deve permanecer próxima de zero até pelo menos 2024, com recuperação significativa projetada apenas para 2029.
Nesse contexto, qualquer avanço nos resultados da MBRF deverá estar atrelado ao desempenho da carne de frango, visto que o negócio de carne bovina na América do Sul tornou-se menos representativo, correspondendo a apenas 11% do total das operações da empresa.



