Peso argentino sofre forte desvalorização e governo intervém para conter crise cambial
O peso argentino voltou a enfrentar forte pressão nesta terça-feira (30), com queda intradiária superior a 6%, levando o governo a intervir no mercado para tentar frear a desvalorização da moeda. O episódio marca uma reversão após um breve rali impulsionado por apoio financeiro dos Estados Unidos.
Queda acentuada e intervenção governamental
Na sessão, o peso chegou a cair mais de 6%, sua maior baixa intradiária desde setembro de 2023, encerrando em 1.380 pesos por dólar, recuo de 1,4%. Para conter a desvalorização, o governo argentino realizou vendas de dólares no mercado à vista, embora a extensão dessas ações não tenha sido divulgada pelas autoridades. A medida ocorreu após dois dias consecutivos de queda da moeda, que vinha de alta superior a 10% motivada por um pacote de US$ 20 bilhões anunciado pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e uma redução temporária de impostos sobre exportações que trouxe entrada de US$ 7 bilhões.
Impactos no mercado e ativos
A mudança brusca no câmbio teve reflexos negativos nos títulos públicos argentinos em dólar, com o papel vencendo em 2035 caindo 1,8 centavo, para cerca de 53 centavos por dólar, configurando um dos piores desempenhos entre emergentes e acumulando quatro sessões seguidas de queda — maior sequência em dois meses. Além disso, a diferença entre o câmbio oficial e o paralelo atingiu o maior patamar desde abril, apontando para o aumento da pressão no mercado cambial e restrições do governo à demanda por dólar.
Análise e perspectivas futuras
Especialistas destacam que a intervenção em dias de forte oferta pode ser interpretada negativamente pelo mercado, e ressaltam a dificuldade do governo em controlar a demanda crescente por moeda estrangeira. Essa pressão reflete incertezas políticas à frente das eleições legislativas de outubro, após resultados eleitorais desfavoráveis recentes, e a falta de clareza sobre a política cambial. O estrategista do BBVA, Alejandro Cuadrado, afirmou que o apoio dos EUA aliviou momentaneamente os ativos, mas não resolve os desequilíbrios estruturais da economia argentina, e que a tendência de desvalorização do peso deve persistir, com atenção à dinâmica pós-eleitoral e possíveis mudanças no regime cambial.
Detalhes das negociações internacionais e sinais do governo
O presidente Javier Milei, em sua primeira entrevista desde o anúncio do pacote americano, afirmou que manterá a linha de swap cambial com a China enquanto negocia o pacote financeiro com os EUA. Também garantiu financiamento até o final de 2025 e indicou possíveis alterações no gabinete após as eleições de 26 de outubro, tentando dar fôlego temporário aos ativos diante da volatilidade do mercado.



