Pesquisa revela que apenas 55% dos novos investidores em criptomoedas iniciam com Bitcoin
Uma pesquisa recente realizada pelo agregador de dados CoinGecko apontou que somente 55% dos novos proprietários de criptomoedas começaram seus investimentos com Bitcoin em seus portfólios. O estudo, que ouviu 2.549 participantes do mercado cripto, revelou ainda que 10% dos entrevistados nunca adquiriram Bitcoin.
Analistas interpretam esses dados como um sinal de amadurecimento do mercado, com a diversificação do interesse dos investidores para além do Bitcoin. Conforme destacou Yuqian Lim, analista de pesquisa do CoinGecko, “o Bitcoin tem se tornado menos frequente como ponto de entrada, à medida que outras narrativas e comunidades de altcoins surgem e ganham força”.
Entrada por altcoins evidencia maturidade do mercado
Jonathon Miller, gerente geral da exchange Kraken, comentou que os investidores estão se inserindo no mercado de criptomoedas por meio de setores alternativos, como as finanças descentralizadas (DeFi) e memecoins. Segundo ele, isso reflete o crescimento e a maturidade do ecossistema cripto, com o Bitcoin deixando de ser o único ativo relevante, especialmente devido à facilidade de acesso para novos usuários.
No entanto, Miller prevê que, diante da incerteza geopolítica crescente e da desvalorização monetária, o Bitcoin poderá retomar sua posição central para investidores que inicialmente o evitaram. Ele afirmou que muitos participantes atraídos inicialmente por ativos mais especulativos devem reconhecer a importância sustentável do Bitcoin ao longo do tempo.
Atração das altcoins: preço e comunidade
Segundo Hank Huang, CEO da Kronos Research, investidores que iniciam fora do Bitcoin tendem a ser atraídos pelos menores preços unitários das altcoins e pelo forte senso de comunidade que essas moedas proporcionam. O estudo do CoinGecko destacou que 37% dos entrevistados começaram seu investimento em altcoins.
Huang observa que essa tendência reflete a maturação do mercado, no qual a diversificação dos ativos é um fator relevante para a participação dos investidores. Ele ressaltou a popularidade crescente de moedas como Solana (SOL), Ethereum (ETH) e memecoins, que transformam o Bitcoin de ponto de entrada padrão para apenas uma das várias opções no universo cripto.
Motivações para evitar o Bitcoin inicialmente
Para Tom Bruni, chefe de mercados da plataforma social de investimentos Stocktwits, a complexidade do Bitcoin e seu preço frequentemente elevado podem intimidar novos investidores. Muitos, segundo ele, sentem que “já perderam o momento” para comprar Bitcoin a preços mais baixos, o que os leva a buscar alternativas mais acessíveis em altcoins e memecoins.
Bruni destaca que, apesar do crescimento das altcoins, stablecoins e outras tecnologias blockchain, o domínio do Bitcoin deve diminuir, embora o ativo continue a ser uma âncora segura para muitos portfólios. Ele acredita que o desempenho do Bitcoin em comparação com o mercado será determinante para a alocação de recursos dos investidores, podendo seu papel aumentar em momentos de instabilidade.
Perspectivas para o futuro do Bitcoin
Qin En Looi, sócio-gerente da Onigiri Capital, afirmou que os primeiros adotantes já possuem Bitcoin, enquanto a maioria tardia ingressará no mercado à medida que o ativo for incorporado ao sistema financeiro tradicional, por meio de bancos, gestores de patrimônio e produtos de aposentadoria.
En Looi projetou que a infraestrutura necessária para ampliar o acesso ao Bitcoin avançará lentamente, dependendo da construção gradual da confiança. Ele também ressaltou que o Bitcoin não perderá relevância, mas terá seu papel ampliado dentro do ecossistema cripto, funcionando como referência para outras classes de ativos digitais, assim como o ouro no mercado financeiro tradicional.
Em síntese, a pesquisa e as análises indicam que o mercado de criptomoedas está se diversificando, com o Bitcoin mantendo sua importância estrutural, mas dividindo espaço com o crescimento expressivo de outras moedas e projetos digitais.



