Sociedade de Reumatologia apoia aumento de centros de infusão no SUS

4 Min Read

Falta de centros especializados dificulta tratamento de doenças reumáticas pelo SUS

Desde 2003, Fernando Henrique dos Santos, 42 anos, enfrenta dores intensas na coluna. Após diagnóstico inicial de artrite reumatoide em 2018, que resultou em afastamento do trabalho, seu diagnóstico foi atualizado em 2024 para espondilite anquilosante, uma forma de artrite inflamatória que afeta principalmente a coluna vertebral.

Para controlar a doença, Santos depende do medicamento infliximabe, administrado a cada oito semanas por infusão. Embora receba o remédio gratuitamente, o tratamento se complica pela falta de centros especializados para a aplicação do medicamento via Sistema Único de Saúde (SUS). Morador de Guarulhos, na Grande São Paulo, ele era atendido em Mogi das Cruzes, mas com o fim do contrato entre o laboratório fabricante e o governo estadual, passou a depender de uma clínica particular em São Paulo, acessível apenas pelo convênio médico.

“Sinto dificuldade pelo SUS não oferecer o serviço. Estou afastado do trabalho, então consigo deslocar-me, mas para muitos isso não é viável”, afirma.

Sociedade Brasileira de Reumatologia alerta para falhas no atendimento

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a ausência de centros de terapia assistida e protocolos específicos para a administração de medicamentos biotecnológicos no SUS representa risco à eficácia do tratamento de doenças autoimunes e raras. Em entrevista durante o Congresso Brasileiro de Reumatologia, o reumatologista Vander Fernandes, coordenador da Comissão de Centros de Terapia Assistida da SBR, destacou a lacuna existente entre o fornecimento dos medicamentos e a estrutura necessária para seu correto uso.

“Esses medicamentos exigem manipulação cuidadosa, manutenção em temperaturas específicas e aplicação por equipe capacitada. São tratamentos complexos que demandam tempo e observação para evitar reações adversas, pontos ainda não contemplados pelo SUS”, explica Fernandes.

Desafios e impactos para pacientes

Medicamentos imunobiológicos, como o infliximabe, necessitam de armazenamento em cadeia de frio e aplicação em ambiente controlado. Sem essas condições, há perda de eficácia e riscos à segurança do paciente. Além disso, a falta de centros especializados impede monitoramento adequado, expondo pacientes a complicações.

Levantamento da SBR revela que, no Brasil, existem apenas 61 centros de terapia assistida, a maioria privada e concentrada na Região Sudeste, com apenas 11 credenciados pelo SUS. Estima-se que cerca de 20 mil pacientes dependam desses tratamentos infusivos na rede pública.

Pesquisa realizada em julho de 2023 pela Biored Brasil mostrou que 10% dos pacientes que dependem de medicamentos de alto custo pelo SUS estão sem acesso à aplicação adequada e 46% afirmam não ter centro de terapia assistida próximo de casa. Além disso, 55% relataram despesas entre R$ 150 e R$ 200 por aplicação, um custo impactante para a renda familiar.

Ministério da Saúde estuda criação de centros especializados

Procurado, o Ministério da Saúde informou que avalia a criação de pontos de terapia assistida pelo SUS, atualmente em fase de estudos técnicos. A iniciativa visa ampliar o acesso e garantir segurança na administração desses tratamentos.

A ausência de uma rede estruturada para aplicação dos medicamentos representa um desafio significativo para a gestão de doenças crônicas, demandando ações integradas para assegurar a continuidade e a qualidade do cuidado aos pacientes.

Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *