AI Requires Proof-of-Work, Not Big Tech

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Bitcoin demonstra que recompensar eficiência impulsiona inovação tecnológica

A trajetória do Bitcoin ao longo dos últimos 15 anos evidencia um princípio importante para o desenvolvimento de infraestrutura tecnológica: a recompensa à eficiência gera inovações significativas. Inicialmente, a mineração de Bitcoin utilizava placas gráficas comuns, semelhantes às empregadas por gamers. Com o sistema de prova de trabalho (PoW), que privilegia os mineradores que processam blocos com maior eficiência, iniciou-se uma corrida para o desenvolvimento de hardware especializado. Atualmente, a mineração ocorre em máquinas ASIC, capazes de operar com eficiência centenas de milhares de vezes superior às melhores GPUs da Nvidia.

A capacidade instalada para mineração de Bitcoin atingiu 16 gigawatts, equivalente à energia necessária para operar 10 milhões das mais potentes GPUs Blackwell da Nvidia. Essa escala não só supera em eficiência, mas também é infinitamente maior em volume do que os recursos combinados de gigantes como OpenAI, Microsoft Azure, Amazon Web Services, Google Cloud e xAI.

A necessidade de uma infraestrutura eficiente para IA

No contexto da inteligência artificial (IA), a infraestrutura ainda depende majoritariamente de chips generalistas e caros, resultado da oferta disponível no mercado. Contudo, o modelo adotado pelo Bitcoin poderia ser aplicado à IA: um sistema aberto em que qualquer pessoa pode contribuir com poder computacional e ser remunerada pela execução mais eficiente das tarefas de IA.

Esse modelo democratizaria o acesso, dispensando a intervenção de intermediários influentes e concentrados. Além disso, estimularia a criação de chips específicos para IA, fomentando a competição entre fabricantes para produzir processadores cada vez mais baratos e eficientes. A força deste mercado seria ainda maior, motivada por investidores e entusiastas do ecossistema blockchain, já familiarizados com o potencial disruptivo do modelo PoW.

Crítica ao modelo proof-of-stake em projetos de IA descentralizada

Diversos projetos descentralizados de IA adotam o sistema proof-of-stake (PoS), que distribui recompensas com base na quantidade de tokens detidos, e não na contribuição efetiva de infraestrutura. Um exemplo é a rede Bittensor, na qual a maior capacidade computacional está concentrada em um subset específico que roda grandes modelos de IA, mas seus responsáveis recebem apenas 5% das recompensas, enquanto 95% são destinados a detentores de tokens que pouco ou nenhum trabalho realizam.

Este modelo é considerado inadequado, pois privilegia a posse de ativos congelados para extração de renda passiva em detrimento da construção de infraestrutura robusta e eficiente.

Impactos do proof-of-work para o futuro da IA

O sistema proof-of-work transcende o âmbito das criptomoedas, funcionando como um mecanismo que estimula a inovação por meio da competição, em oposição à dependência de hardware existente. Em uma década, a comunidade blockchain pode viabilizar uma infraestrutura capaz de fornecer poder computacional milhares de vezes superior ao mercado centralizado atual.

Para a IA, isso significa a possibilidade de transição de uma computação dispendiosa e centralizada para um modelo acessível, barato e amplamente disponível, comparável à energia elétrica. Isso pode reduzir drasticamente os custos de execução dos modelos de IA em poucos anos.

Oportunidades para participantes e investidores

O cenário atual da IA é comparado ao estágio inicial do Bitcoin em 2009, com redes em formação e oportunidades significativas para os primeiros participantes. Recomenda-se acompanhar projetos de IA baseados em proof-of-work, contribuir com poder computacional próprio ou temporário e engajar na mineração, pois quem apostar na construção dessa infraestrutura nos estágios iniciais tende a ser o maior beneficiado.

Esta análise foi elaborada por Daniil e David Liberman, criadores da Gonka.

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