Mercado de criptomoedas pode iniciar ciclo prolongado impulsionado por capital institucional e inteligência artificial
O mercado de criptomoedas pode estar diante do seu primeiro ciclo prolongado, impulsionado pelo aumento do capital institucional e pela diversificação de produtos de negociação no setor Web3, que tornam os investimentos em ativos digitais mais acessíveis para os investidores.
Alguns participantes do mercado projetam um “superciclo” de criptomoedas que pode romper a tradicional teoria do ciclo de quatro anos, normalmente associado ao halving do Bitcoin (BTC), elevando a valorização dos ativos digitais para além desse padrão histórico.
No caso do Ether (ETH), segunda maior criptomoeda do mundo, a maior motivação para esse superciclo estaria relacionada à adoção crescente da tecnologia blockchain por instituições financeiras de Wall Street, conforme análise da BitMine Immersion Technologies, maior detentora corporativa de Ether.
De acordo com a BitMine, “o principal fator impulsionador do Ether pode ser a entrada de Wall Street no universo da blockchain”, sinalizando um movimento de integração dos mercados tradicionais com as tecnologias descentralizadas.
A perspectiva otimista, no entanto, não é unânime. O banco de investimento dos EUA, Citigroup, estimou um preço-alvo para o Ether de US$ 4.300 até o final do ano, valor abaixo da máxima histórica de US$ 4.953 atingida em 24 de agosto. Segundo relatório do Citigroup, os preços atuais podem estar inflacionados por pressões de compra recentes e entusiasmo em torno de casos de uso da criptomoeda.
Nos últimos seis meses, o Ether valorizou cerca de 108%, sendo negociado a US$ 4.177, conforme dados recentes.
Adição da inteligência artificial como fator de impulso
Outro potencial catalisador para o superciclo do Ethereum seria a crescente adoção de protocolos de inteligência artificial (IA) autônoma, que demandam plataformas neutras e públicas, onde o blockchain se sobressai como tecnologia ideal para viabilizar essas aplicações.
Ben Horowitz, cofundador da empresa de capital de risco Andreessen Horowitz (a16z), destacou que para a IA ter valor econômico, é necessário que agentes de IA possam realizar compras e movimentações financeiras, tarefa inviabilizada por sistemas tradicionais como cartões de crédito. Segundo ele, as criptomoedas configuram uma rede econômica natural para a IA.
Nicolai Sondergaard, analista da plataforma Nansen, pondera que, embora a Ethereum seja atualmente a principal plataforma de contratos inteligentes, a competição entre diferentes blockchains tende a crescer com o avanço da IA, citando outras redes como Base e Solana que também abrigam projetos nessa área.
Agentes de IA são programas voltados para automação e execução de tarefas específicas para os usuários, podendo operar com protocolos blockchain para funcionalidades financeiras como negociação automática, troca de tokens, gestão de portfólios e interação com finanças descentralizadas (DeFi).
A aplicação da IA em blockchain tem atraído grandes empresas fintech, exemplificado pelo investimento da PayPal Ventures em 2 de setembro na startup de infraestrutura descentralizada para IA Kite AI, com aporte de US$ 18 milhões em rodada Series A, elevando o total captado para US$ 33 milhões.
Esses desenvolvimentos indicam uma possível redefinição dos ciclos tradicionais do mercado cripto, marcada pela incorporação de novas tecnologias e maior participação institucional.



