Relatório confirma perspectiva de que redução das taxas de juros em 2024 é pouco provável, afirmam economistas.

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Copom mantém Selic em 15% ao ano e sinaliza cortes apenas em 2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, conforme a ata da última reunião divulgada na semana passada. O documento reforça o tom mais duro do comunicado oficial e indica que um alívio na política monetária só deve ocorrer em 2026. Embora a reunião de janeiro seja apontada como a provável data para o início da flexibilização, especialistas consideram que o Banco Central pode adiar esse movimento.

Para Caio Megale, economista-chefe da XP, o tom “hawkish” do comunicado busca evitar expectativas de cortes de juros no curto prazo. Segundo ele, um ciclo de redução da Selic é improvável ainda em 2025, com uma melhora da inflação que possibilitaria uma política monetária menos restritiva apenas no ano seguinte. A XP projeta um ciclo gradual de cortes a partir de janeiro, com a taxa alcançando 12% após seis reduções de 0,5 ponto percentual, porém avalia que o início pode ser postergado para março ou mais tarde.

Rafaela Vitoria, economista-chefe do banco Inter, destaca que o Copom reconhece que projeções de inflação e expectativas mais longas desancoradas dificultam uma postura mais acomodatícia. A ata reforça que o comitê não hesitará em elevar os juros caso necessário. Ela ressalta ainda que o risco fiscal atual impede uma queda mais significativa nas taxas longas e no prêmio de risco embutido nos juros.

O Bradesco compartilha da preocupação com a desancoragem das expectativas de inflação, indicando que sua melhora será essencial para o início do ciclo de cortes. O banco projeta desaceleração econômica e moderação inflacionária como fatores que abrirão espaço para redução da Selic, que deve alcançar 11,75% ao final de 2026.

A ata também aborda a recente valorização do real, destacando que ela foi influenciada pelo diferencial de juros doméstico e pela depreciação do dólar diante de outras moedas. Contudo, o Copom reforça a necessidade de monitorar os efeitos cambiais sobre a inflação, especialmente pelo risco do “pass-through” — repasse da alta cambial para os preços internos. O comitê mantém alerta sobre riscos externos, tarifas comerciais e incertezas fiscais internas.

No balanço, a mensagem da ata é clara: a manutenção da Selic em 15% por período prolongado permanece como cenário central, com possibilidade de novas elevações caso riscos, especialmente relacionados ao câmbio, política fiscal ou inflação de serviços, se agravem.

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