Trump relaciona autismo ao uso do componente do Tylenol na gravidez, sem apresentar evidências

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Trump relaciona paracetamol ao autismo e impacto derruba ações da Kenvue em 7,5%

O governo de Donald Trump anunciou que está associando o uso do paracetamol, princípio ativo do Tylenol, ao autismo, recomendando que gestantes evitem o medicamento na maioria dos casos. A declaração provocou queda de 7,5% nas ações da fabricante Kenvue, que fecharam em mínima histórica.

Medidas e impacto no mercado

Em evento na Casa Branca, Trump e o secretário de saúde Robert F. Kennedy Jr. defenderam limitações ao uso do paracetamol durante a gravidez, alegando riscos ao desenvolvimento neurológico do feto. Kennedy afirmou que a FDA emitirá aviso para médicos e iniciará processo para alterar os rótulos do medicamento. Também será lançada campanha nacional para informar as famílias sobre os supostos riscos.

As ações da Kenvue, responsável pela produção do Tylenol, caíram 7,5% na segunda-feira (22), atingindo a menor cotação da história da empresa. A Kenvue, no entanto, afirmou que estudos científicos independentes comprovam que o paracetamol não causa autismo.

Além disso, Trump criticou o calendário de vacinação infantil, sugerindo que as doses múltiplas aplicadas simultaneamente sejam espaçadas para reduzir a sobrecarga nas crianças.

Análise e perspectivas

Embora existam estudos que indicam possível associação entre o paracetamol pré-natal e transtornos do neurodesenvolvimento, como TDAH e autismo, as evidências conclusivas ainda são insuficientes. Pesquisas recentes, inclusive um levantamento com cerca de 2,5 milhões de irmãos na Suécia, não encontraram aumento do risco.

Em 2024, uma revisão de 46 estudos apontou um possível aumento do risco associado à exposição pré-natal ao medicamento, mas sem comprovar causalidade direta. Organizações médicas renomadas alertam para que pacientes não abandonem o uso do paracetamol, dado seu importante papel no alívio da dor e febre.

No âmbito jurídico, processos nos EUA alegam ligação entre o Tylenol e autismo, mas já foram rejeitados por falta de rigor científico. A declaração do governo pode influenciar recursos e decisões futuras, embora não substitua os critérios legais para evidências.

O episódio destaca o potencial impacto de declarações governamentais sobre setores farmacêuticos e a necessidade de equilíbrio entre precaução e fundamentação científica, fatores que investidores devem monitorar atentamente.

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