Fundo americano que deve auxiliar a Argentina já prestou ajuda ao Brasil diversas vezes

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Fundo de Estabilização Cambial dos EUA já apoiou Brasil e deve socorrer Argentina

O Fundo de Estabilização Cambial (FSE) do Tesouro dos Estados Unidos, previsto para auxiliar a Argentina na atual crise cambial, acumula histórico de intervenções em países emergentes, incluindo o Brasil. A ferramenta criada em 1934 tem como objetivo estabilizar moedas e conceder empréstimos de curto prazo para governos e bancos centrais estrangeiros.

No Brasil, o FSE atuou em momentos críticos, como na virada de 1998 para 1999, durante forte desvalorização do real que resultou no fim do regime de bandas cambiais e adoção do câmbio flutuante. Naquele período, o país enfrentou crise agravada pelo calote russo, que reduziu reservas brasileiras em US$ 22,2 bilhões em setembro de 1998. O governo brasileiro solicitou ajuda ao FMI para um pacote de US$ 41,5 bilhões, com garantia dos EUA de US$ 5 bilhões por meio do FSE. Esta operação, apesar de controversa por questões legais, demonstrou o comprometimento dos EUA em fortalecer a estabilidade de economias emergentes, conforme destacado pelo então presidente Bill Clinton.

O fundo, que opera sob comando do Secretário do Tesouro americano e com aprovação do presidente, realiza transações envolvendo moedas estrangeiras e dólares, além de empréstimos garantidos por seus recursos, provenientes de juros e ganhos em operações cambiais.

Historicamente, o FSE já forneceu suporte financeiro para vários países da América Latina e outras regiões, como México, Venezuela e Nigéria. México e Brasil figuram entre os maiores tomadores desde a década de 1980. Por exemplo, após a crise do peso mexicano em 1994, o México recebeu US$ 12 bilhões em empréstimos do fundo, quitados em 1997.

As últimas intervenções na América Latina ocorreram com o México em 2000 e o Uruguai em 2002. Agora, a Argentina é beneficiária de uma nova linha de apoio, que pode envolver operações como swap cambial, compra direta de moeda e aquisição de dívida pública dolarizada, segundo anunciou o secretário do Tesouro americano Scott Bessent.

A mobilização do FSE sinaliza o interesse dos Estados Unidos em preservar a estabilidade econômica na região, ressaltando a importância de políticas fiscais sólidas, como as recentemente elogiadas pelo governo argentino.

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