Especialistas em pediatria chamam atenção para o crescimento dos casos de autoagressão entre jovens

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Casos de Autoagressão entre Adolescentes no Brasil Ocorreram a Cada 10 Minutos, Aponta Estudo

Dados recentes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) revelam que, a cada 10 minutos, há pelo menos um registro de autoagressão envolvendo adolescentes de 10 a 19 anos no Brasil. O levantamento, baseado no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), indica uma média diária de 137 atendimentos relacionados a violência autoprovocada e tentativas de suicídio nos últimos dois anos.

Subnotificação e Desafios na Notificação

A SBP adverte que os números apresentados provavelmente subestimam a realidade, devido a falhas no preenchimento e comunicação dos registros, especialmente nos atendimentos realizados pela rede privada e em escolas. A notificação é obrigatória para os profissionais que atendem casos desse tipo, o que reforça a possibilidade de que a magnitude do problema seja maior do que a refletida pelos dados oficiais.

Importância da Escuta e do Acolhimento

A entidade médica reforça a necessidade de que pais, responsáveis e educadores estejam atentos aos sinais de alerta nos adolescentes, como tristeza persistente, abandono de atividades prazerosas, episódios de autolesão e envolvimento em situações de risco. O acompanhamento pediátrico é destacado como elemento essencial para a prevenção, facilitando a identificação precoce de indícios e a orientação adequada às famílias.

Distribuição Regional dos Casos

O Sudeste concentra quase metade dos registros nacionais, com São Paulo liderando os números, seguido pelo Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Norte. O Ceará e Pernambuco são destaques no Nordeste, enquanto o Paraná lidera o Sul. No Centro-Oeste, Goiás e Distrito Federal possuem as maiores incidências, e no Norte, Pará e Tocantins registram os principais casos.

Gravidade dos Casos e Mortalidade

O estudo também aponta para a gravidade dos casos, com cerca de 3,8 mil internações hospitalares por violência autoprovocada entre adolescentes nos últimos dois anos, média de cinco internações diárias. A faixa etária de 15 a 19 anos é a mais afetada. Além disso, aproximadamente 1 mil jovens nessa faixa morrem por suicídio anualmente, sendo 1,1 mil em 2023 e 1,2 mil em 2022, com predomínio na faixa dos 15 aos 19 anos.

Sinais de Alerta para Tentativas de Suicídio

A SBP listou os principais indícios que podem indicar risco de suicídio, entre eles: tristeza persistente, abandono de atividades prazerosas, autolesão, envolvimento em situações de risco e ausência de planos para o futuro. A adolescência, período de intenso desenvolvimento e maior sensibilidade emocional, é marcado por fatores que aumentam a vulnerabilidade, como impulsividade, baixa autoestima, desesperança e solidão.

Fatores de Risco e Desafios para a Saúde Mental

Além dos fatores emocionais próprios da adolescência, a SBP destaca o acesso facilitado a meios letais e o estigma relacionado à saúde mental como grandes desafios para a prevenção. A entidade também chama atenção para o aumento de problemas como ansiedade e depressão entre crianças e adolescentes, influenciados por sobrecarga familiar, modelo escolar focado no conteúdo, falta de acompanhamento médico contínuo e riscos do ambiente digital.

Orientação para Busca de Ajuda

Adolescentes, familiares e qualquer pessoa com pensamentos suicidas são aconselhados a buscar apoio na rede de contatos pessoais e nos serviços de saúde, como Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Unidades Básicas de Saúde, UPAs, Pronto-Socorros e hospitais. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito e sigiloso 24 horas por telefone (188), e também por e-mail, chat e voip, proporcionando suporte emocional e prevenção ao suicídio.

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