Primeira Stablecoin da China é Lançada em Meio à Corrida Geopolítica Digital

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Primeira stablecoin regulada atrelada ao yuan internacional é lançada junto com stablecoin do won sul-coreano

Nesta semana, foram lançadas duas stablecoins alinhadas a moedas fiduciárias asiáticas, intensificando a corrida global por moedas digitais estáveis. A fintech AnchorX apresentou a AxCNH, a primeira stablecoin regulamentada atrelada ao yuan internacional (CNH), durante a Cúpula Belt and Road em Hong Kong. A iniciativa faz parte de uma mudança regulatória na China que possibilita o uso desses ativos digitais em mercados internacionais.

A AxCNH tem como objetivo facilitar transações transfronteiriças entre países participantes da iniciativa Belt and Road — um projeto de infraestrutura que conecta a China ao Oriente Médio e à Europa por vias terrestres e marítimas, impulsionando o comércio internacional.

Paralelamente, a empresa BDACS lançou a KRW1, stablecoin vinculada ao won sul-coreano (KRW). Ambas as stablecoins são sobrecolateralizadas, ou seja, são totalmente lastreadas em depósitos fiduciários ou títulos públicos mantidos por custodiante, garantindo segurança e estabilidade.

Estabilidade monetária digital e impacto geopolítico

As stablecoins têm ganhado importância estratégica para governos que buscam digitalizar suas moedas nacionais. Ao transferir o uso do dinheiro físico para plataformas digitais baseadas em blockchain, operando 24 horas por dia e com liquidações quase instantâneas, aumenta-se a demanda internacional pela moeda, além de facilitar o acesso por usuários comuns e limitar os efeitos inflacionários gerados pela impressão de dinheiro.

O sistema financeiro tradicional enfrenta limitações, como lentidão e infraestrutura insuficiente, especialmente em regiões em desenvolvimento. A digitalização das moedas nacionais ajuda a superar esses obstáculos e reduz controles cambiais que restringem o uso do dinheiro fiduciário em certos países.

Relação entre stablecoins, inflação e dívida pública

O aumento da base monetária gera inflação porque a demanda pela moeda não acompanha a expansão da oferta. Emitentes de stablecoins sobrecolateralizadas, como Tether e Circle, compram títulos públicos e ativos em dinheiro para respaldar seus tokens digitais, tornando-os acessíveis a qualquer pessoa com celular e carteira digital.

Dessa forma, esses emissores criam um canal para investidores individuais se tornarem compradores indiretos de títulos públicos, ampliando o mercado para esses ativos, reduzindo os juros da dívida estatal e aliviando o serviço da dívida governamental. Atualmente, a Tether figura como um dos maiores detentores de títulos do Tesouro norte-americano, superando países desenvolvidos como Canadá, Noruega e Alemanha.

Especialistas indicam que os Estados Unidos utilizam stablecoins e reservas em ouro para fortalecer a confiança no dólar diante do endividamento crescente, que ultrapassa US$ 37 trilhões.

O lançamento dessas stablecoins asiáticas reflete a crescente integração das moedas nacionais em ecossistemas digitais, com potencial impacto econômico e geopolítico global, à medida que países buscam modernizar seus sistemas financeiros e ampliar a influência internacional de suas moedas.

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