Microsoft, Amazon e outras empresas aconselham titulares do visto H-1B a não viajar para o exterior

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Empresas de tecnologia alertam funcionários sobre nova taxa para vistos H-1B nos EUA

Após o anúncio do presidente Donald Trump de uma taxa de inscrição de US$ 100 mil para o programa de vistos H-1B, amplamente utilizado por trabalhadores estrangeiros qualificados no setor de tecnologia, diversas empresas enviaram orientações aos seus funcionários para evitar viagens ao exterior e retornarem aos Estados Unidos até o dia 20 de junho.

Microsoft, Alphabet, Amazon e outras companhias recomendaram que os colaboradores com vistos H-1B cancelassem planos de viagem e permanecessem nos EUA diante da implantação imediata das novas regras, inicialmente previstas para entrar em vigor no domingo, 21 de junho.

Posteriormente, a Casa Branca esclareceu que a taxa incide apenas sobre novos pedidos de visto, não afetando renovações ou titulares atuais, e que a medida será aplicada a partir do próximo ciclo de loteria do programa. Ainda assim, as incertezas relacionadas à aplicação e fiscalização da taxa geraram preocupação no meio corporativo, levando empresas e advogados de imigração a aconselharem cautela.

Funcionários afetados relataram impactos significativos. Um engenheiro britânico, preparado para se mudar à Califórnia, teve que adiar seus planos após orientação legal para permanecer no Reino Unido. Outro colaborador do Google cancelou uma viagem ao Japão por receio das mudanças.

A Amazon também alertou os detentores de vistos H-4, destinados a cônjuges e dependentes de portadores do H-1B, para permanecerem nos EUA.

O programa H-1B é vital para o setor de tecnologia, finanças e consultoria nos EUA. Anualmente, são ofertados 65 mil vistos, mais 20 mil para graduados com mestrado em universidades americanas. Em 2025, foram registradas mais de 470 mil inscrições, com início dos trabalhos previstos para 1º de outubro.

Orientações internas recomendam limitar viagens internacionais para portadores de todos os tipos de visto, refletindo preocupações sobre possíveis restrições adicionais. Empresas como Ernst & Young e Walmart instruíram seus funcionários a evitar sair do país até que as consequências da nova política estejam claras.

Advogados de imigração alertam para o caos gerado pela mudança, destacando dúvidas sobre o retorno de profissionais que estão no exterior ou em processo de obtenção do visto. Espera-se que a nova política enfrente ações judiciais e possivelmente liminares para suspender sua aplicação.

Trabalhadores H-1B que vivem há anos nos EUA manifestam apreensão quanto ao impacto nas suas vidas e carreiras, considerando inclusive a possibilidade de migrar para outros países caso as regras dificultem sua permanência no território americano.

A administração Trump defende a medida como forma de garantir que o programa atenda a aplicações legítimas e elimine abusos, garantindo que as empresas de tecnologia continuem tendo acesso a mão de obra qualificada mediante o pagamento da nova taxa.

O programa H-1B permanece como um elemento central na estratégia das empresas americanas para contratação de talentos globais, apesar do temor que a nova taxa possa restringir a oferta de profissionais qualificados.

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