Fed: Governador Stephen Miran reforça independência em decisão de corte de juros
O governador do Federal Reserve, Stephen Miran, afirmou não ter comprometido seu voto na recente reunião do banco central dos EUA, destacando atuação independente na análise da política de juros. A decisão do Fed de reduzir a taxa básica gerou diferentes visões internas, com Miran defendendo corte maior.
Decisão de juros e posicionamento de Miran
Na primeira reunião do Federal Reserve com Miran no Conselho de Governadores, realizada esta semana, o banco central decidiu cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, marcando o primeiro corte em 2025. Miran, contudo, manifestou discordância ao preferir uma redução de 0,50 ponto percentual. Apesar de ter recebido ligação de congratulações do presidente Donald Trump pela confirmação no cargo, Miran afirmou que não houve conversa sobre seu voto nem compromissos assumidos, reforçando que sua decisão será sempre baseada em análise independente dos dados econômicos.
Impacto no mercado e projeções futuras
A medida foi motivada por sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho, com o Fed alertando para riscos crescentes à ocupação. O presidente do banco central, Jerome Powell, classificou o corte como uma ação de “gestão de risco” para conter uma deterioração maior do emprego. Durante a reunião, foram divulgadas projeções trimestrais indicando cortes acumulados de até 150 pontos-base ao longo do ano, uma previsão alinhada à sugestão de Miran e baseada em suas avaliações.
Pressão política e independência do Fed
Miran tem papel singular ao ocupar temporariamente a cadeira no Conselho de Governadores enquanto está em licença não remunerada do cargo na Casa Branca, fato que provocou críticas por potencial interferência política nas decisões do Fed. A pressão do presidente Trump tem sido intensa, incluindo tentativas inéditas de demitir membros da autoridade monetária, o que gerou disputa judicial e debate sobre a autonomia da instituição.
Perspectivas e desafios
Mirando manter sua atuação independente, Miran disse esperar influenciar positivamente os demais formuladores de política monetária nas próximas semanas, destacando receptividade dos colegas, inclusive da governadora Lisa Cook. O cenário para o Fed permanece complexo, com o mercado observando atentamente o balanço entre os riscos inflacionários, potencialmente decorrentes de políticas tarifárias, e a necessidade de apoiar o mercado de trabalho. Miran minimizou preocupações sobre inflação advinda das tarifas, afirmando ausência de evidências de impacto significativo.
Complementarmente, o presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, indicou expectativa de pelo menos mais dois cortes de 0,25 ponto percentual em 2025, considerando o desaquecimento do mercado de trabalho, reforçando a tendência de flexibilização monetária no horizonte próximo.



