Ticketmaster e Live Nation enfrentam ação judicial por comercialização ilegal de ingressos

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FTC e Estados Unidos processam Live Nation e Ticketmaster por uso de robôs em venda de ingressos

A Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) e sete estados norte-americanos entraram com uma ação judicial contra a Live Nation e sua subsidiária Ticketmaster, acusando-as de não coibirem o uso de robôs para a compra massiva de ingressos e operações ilegais de revenda.

Segundo o processo apresentado em tribunal federal na Califórnia, a maior plataforma de venda de ingressos do país não aplicou efetivamente seus próprios limites de compra, permitindo que revendedores adquirissem grandes quantidades para eventos populares. A FTC afirma que a Ticketmaster ignorou repetidamente as violações dos corretores e lucrou com as revendas, prejudicando os consumidores que acabam pagando preços muito acima do valor original.

“A empresa rotineiramente escolhe fechar os olhos para a violação dos limites de ingressos pelos corretores”, diz a denúncia da agência, que aponta prejuízo aos fãs forçados a pagar preços inflacionados tanto na bilheteria quanto na revenda.

As ações da Live Nation sofreram queda de até 3,5% durante o pregão, a maior desde maio, recuando 1,3% por volta das 11h39 em Nova York. A empresa não se pronunciou imediatamente.

A FTC detalha que a Ticketmaster pode cobrar até três vezes em taxas, obtendo receita na venda inicial e também nas negociações de revenda. As taxas variam entre 24% e 44%, impactando os consumidores em cerca de US$ 16 bilhões, grande parte retida pela empresa. Entre 2019 e 2024, a plataforma arrecadou US$ 11 bilhões em taxas de ingressos primários e revendidos, de acordo com a agência.

A ação judicial alega violação da Lei da FTC, que proíbe práticas comerciais enganosas, e da Lei de Melhores Vendas Online de Ingressos (BOTS Act), criada em 2016 para coibir o uso de bots que burlam limites de compra por pessoa e promovem revendas em larga escala.

A fiscalização das vendas de ingressos pela FTC foi intensificada após uma ordem executiva em março da administração Trump, que exige relatório sobre o cumprimento da BOTS Act até o final de setembro.

No mês anterior, a agência já havia processado um corretor de ingressos de Maryland por uso de bots na compra de ingressos para a turnê Eras da cantora Taylor Swift. A Ticketmaster negou irregularidades, alegando que a interpretação da FTC sobre a lei seria excessivamente ampla.

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