Com Milei enfrentando pressão, títulos argentinos atingem menor valor em um ano

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Argentina enfrenta forte retirada de investidores, e dívida externa registra queda acentuada

Os títulos da dívida externa da Argentina sofreram fortes perdas na última quinta-feira (18), em meio a uma sequência semanal de quedas que é a mais longa desde abril. O cenário reflete a crescente pressão política e econômica sobre o governo do presidente Javier Milei, a menos de um mês das eleições legislativas de meio de mandato.

Perdas nos títulos e impacto no câmbio

Os papéis argentinos com vencimento em 2035, que estão entre os mais líquidos, recuaram mais de 3 centavos por dólar, atingindo o menor nível em quase um ano após cinco semanas consecutivas de baixa. Esse movimento elevou o rendimento desses títulos para acima de 16,9%, um salto significativo em relação aos 10,6% registrados há um mês.

A desconfiança dos investidores se agravou após legisladores derrubarem dois vetos do presidente Milei a projetos que ampliam gastos públicos, gerando dúvidas sobre sua capacidade de obter apoio político antes das eleições de 26 de outubro.

No mercado cambial, o Banco Central argentino interveio pela primeira vez desde abril para conter a desvalorização do peso, vendendo US$ 53 milhões. O câmbio oficial operava próximo ao limite superior da banda cambial, estabelecida em acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), marcando 1.474 pesos por dólar — perto do teto diário de 1.474,83 pesos.

Cenário político e riscos futuros

A situação política instável, marcada por alta rejeição ao presidente Milei, retração econômica e escândalos de corrupção, tem aumentado o pessimismo dos investidores. Além da intervenção cambial, o governo utilizou diversas medidas para controlar a volatilidade, como vendas de dólares pelo Tesouro e restrições à demanda por moeda estrangeira via corretoras, segundo reinterpretação da Comissão de Valores Mobiliários da Argentina.

Analistas apontam que a combinação entre pressão cambial e derrotas legislativas amplia a incerteza sobre o futuro do regime cambial atual, elevando os riscos de perda significativa de reservas ou de um abandono prematuro e desordenado do sistema. Essa instabilidade pode impactar negativamente setores financeiros e o mercado de capitais argentino nos próximos meses, especialmente diante da expectativa pelas eleições de outubro.

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