Suplementos para longevidade carecem de comprovação científica robusta, alertam especialistas
No universo da longevidade, diversos influenciadores promovem suplementos variados que prometem aumentar a qualidade e duração da vida. Entre os mais conhecidos, Bryan Johnson, idealizador do movimento “Don’t Die”, e Gary Brecka, apresentador do podcast “The Ultimate Human”, divulgam desde pílulas até sprays e injetáveis. Contudo, médicos e pesquisadores destacam que não há evidências científicas substanciais para sustentar a eficácia desses produtos na extensão da vida humana.
Especialistas ouvidos indicam que, até o momento, grandes ensaios clínicos não comprovaram que qualquer suplemento prolongue a vida. Eric Topol, fundador do Scripps Research Translational Institute, ressalta a ausência de dados que validem as alegações feitas por influenciadores e supostos especialistas. Por outro lado, alguns estudiosos veem potencial nos suplementos em relação à melhora da saúde durante o envelhecimento, embora alertem para os riscos de falsas promessas e a pouca regulamentação do setor.
Suplementos para envelhecimento saudável dividem-se em duas categorias principais: vitaminas tradicionais e produtos experimentais.
Vitaminas tradicionais
Especialistas recomendam principalmente a suplementação de vitamina D, vitamina B12 e ômega-3 para adultos mais velhos, especialmente quando há sinais de deficiência. Deficiências desses nutrientes são comuns em populações idosas devido à menor absorção e exposição reduzida ao sol, além de hábitos alimentares.
Estudos relevantes, como VITAL (EUA, 2018) e DO-HEALTH (Europa, 2020), que incluíram milhares de participantes idosos, não demonstraram benefícios significativos desses suplementos na prevenção de câncer, doenças cardiovasculares, fraturas ou declínio cognitivo. Houve uma exceção para indivíduos com baixa ingestão de peixe, que apresentaram redução no risco de AVCs e ataques cardíacos ao consumir ômega-3.
Diante dessas evidências, muitos clínicos adotam uma abordagem cautelosa, recomendando suplementos apenas para casos de suspeita de deficiência nutricional, reforçando que uma dieta equilibrada é preferível para a maioria das pessoas.
Suplementos experimentais
Nesta categoria estão compostos como a nicotinamida adenina dinucleotídeo (NAD+), espermidina e urolitina A, que, em estudos laboratoriais, mostraram potencial para melhorar a saúde celular e retardar aspectos do envelhecimento. Essas substâncias atuam em processos como a produção de energia celular, reciclagem de proteínas danificadas e saúde mitocondrial.
Embora resultados positivos tenham sido observados em modelos animais e testes celulares, especialistas ressaltam que ainda faltam evidências clínicas convincentes em humanos. Eric Topol alerta que alegações baseadas nesses estudos são, em sua visão, uma “cortina de fumaça” que pode confundir consumidores.
Em resumo, o uso de suplementos para longevidade deve ser encarado com cautela, valorizando sempre a orientação médica e os hábitos saudáveis comprovados cientificamente. Ainda que existam promessas, o caminho para comprovar a eficácia desses produtos em humanos requer pesquisas mais robustas e rigorosas.



