Mais da metade dos trabalhadores brasileiros não teme perder emprego nos próximos seis meses
Uma pesquisa recente revela que 53,8% dos trabalhadores no Brasil não veem risco de perder seu principal emprego ou fonte de renda nos próximos seis meses. Entre os entrevistados, 42,3% consideram improvável ficar desempregados, e 11,5% avaliam como muito improvável. Por outro lado, 13,8% indicaram que a chance de perder o emprego é provável, enquanto apenas 2,8% acreditam que é muito provável. Quase 30% dos participantes não souberam opinar sobre a questão.
O levantamento, realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), reflete o cenário atual do mercado de trabalho, marcado por baixa taxa de desemprego e maior segurança ocupacional. Segundo Rodolpho Tobler, responsável pela sondagem, o aquecimento do mercado favorece a estabilidade dos trabalhadores e a possibilidade de realocação em caso de necessidade. Contudo, ele alerta que, diante da expectativa de desaceleração econômica, esse índice de segurança tende a diminuir.
Desemprego em nível histórico e rendimento em alta
Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a taxa de desemprego no segundo trimestre de 2025 atingiu 5,8%, o menor patamar desde o início da série histórica, em 2012. Além disso, o rendimento médio dos trabalhadores alcançou R$ 3.477, enquanto o número de empregados com carteira assinada chegou a 39 milhões. Novas informações referentes ao trimestre móvel encerrado em julho serão divulgadas em breve.
A perspectiva de desaceleração econômica está associada ao atual contexto de juros elevados, com a taxa Selic em 15% ao ano, patamar histórico desde julho de 2006. O aumento dos juros tem o efeito de conter a inflação — que atualmente acumula 5,13% em 12 meses, acima do teto da meta oficial —, mas também reduz investimentos e dinamismo econômico, com possível impacto negativo sobre emprego e renda.
Segurança no emprego cresce com a faixa de renda
A pesquisa da FGV revela uma correlação entre a faixa de renda do trabalhador e sua percepção de segurança no emprego: apenas 32,6% dos que recebem até um salário mínimo se sentem seguros contra a perda do trabalho, enquanto esse índice sobe para 41,3% entre quem recebe de um a três salários mínimos, e atinge 62,4% para quem ganha acima de três salários mínimos.
Satisfação no trabalho e percepção de proteção social
Além da segurança no emprego, a sondagem avaliou outros aspectos relacionados ao mercado de trabalho. Sobre satisfação profissional, 59,7% dos entrevistados se disseram satisfeitos e 15,3% muito satisfeitos. O grupo que se declara insatisfeito ou muito insatisfeito representa 8%, enquanto 17% estão neutros.
Quanto à proteção social, 33,5% se sentem muito desprotegidos, 37,7% parcialmente desprotegidos e 28,7% afirmam estar protegidos.
A pesquisa foi realizada com uma amostra de 2 mil pessoas e está em sua terceira edição mensal, o que ainda limita comparações com períodos anteriores.



