O Ministério das Relações Exteriores expressou, em nota oficial divulgada nesta terça-feira (9), seu repúdio à ameaça dos Estados Unidos de utilizar “sanções econômicas ou ameaças de uso da força contra a nossa democracia”. A declaração surge em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus acusados de envolvimento em uma trama golpista.
O Itamaraty enfatizou que o governo brasileiro rejeita qualquer tipo de interferência externa na soberania nacional. A nota salienta a importância de proteger a liberdade de expressão, defendendo a democracia e o respeito à vontade popular expressa nas urnas. “É esse o dever dos três Poderes da República, que não se intimidarão por qualquer forma de atentado à nossa soberania”, afirma o comunicado. O governo ainda criticou tentativas de “forças antidemocráticas” de instrumentalizar governos estrangeiros para coagir as instituições brasileiras.
A secretária de imprensa da Casa Branca, comentou que o governo norte-americano considera a liberdade de expressão uma prioridade máxima, fazendo menção ao julgamento de Jair Bolsonaro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se manifestou sobre o assunto durante um discurso, mencionando o julgamento no Supremo Tribunal Federal. Lula criticou aqueles que “tiveram a pachorra de mandar gente para os Estados Unidos para falar mal do Brasil e para condenar o Brasil”.
A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffman, também criticou a declaração do governo dos Estados Unidos sobre uso da força. A ministra classificou como “cúmulo” a “conspiração da família Bolsonaro contra o Brasil”, referindo-se à articulação conduzida para que os EUA implementem sanções contra o Brasil.
O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou o julgamento de Jair Bolsonaro e dos demais réus envolvidos na acusação de tramar um golpe. Já houve votos pela condenação. A sessão foi suspensa e deve ser retomada para conclusão da votação.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



