Árvores colossais na Amazônia, com destaque para o angelim-vermelho (Dinizia excelsa), desempenham papéis cruciais na captura de gás carbônico, na distribuição de chuvas e no registro da história do bioma. Especialistas enfatizam a importância da proteção destas espécies que podem ultrapassar 80 metros de altura.
A existência destas árvores gigantes veio à tona recentemente. Em 2022, um angelim-vermelho com 88,5 metros de altura, equivalente a um prédio de 30 andares, foi localizado no município de Almeirim (PA), sendo considerada a maior árvore do Brasil. No total, 20 exemplares com mais de 70 metros foram encontrados próximos ao Rio Jari, na divisa entre Pará e Amapá. Pesquisadores estudam as condições que permitiram o crescimento e o potencial desses angelins-vermelhos.
Um pesquisador do Instituto Federal do Amapá (IFAP) explica que estas árvores podem absorver o dobro de carbono em comparação com as espécies amazônicas de tamanho médio, contribuindo significativamente para a regulação do clima. Uma estimativa sugere que uma única árvore gigante pode absorver 80% do CO₂ em sua área de entorno. Estudos adicionais são necessários para entender melhor a emissão de gases carbônicos, a contribuição para a atmosfera e a idade dessas árvores. Estimativas preliminares sugerem idades entre 400 e 500 anos.
Apesar da importância destes espécimes para o entendimento do bioma e das mudanças climáticas, as árvores correm riscos. Localizadas em áreas com diferentes níveis de proteção, elas estão sujeitas a ameaças como a exploração comercial. A segunda maior árvore, com 85,4 metros de altura, está localizada em Laranjal do Jari (AP).
Uma diretora executiva de uma ONG alerta que muitas destas árvores estão fora de unidades de conservação e a exploração comercial do angelim-vermelho é permitida. A campanha “Proteja as Árvores Gigantes” busca mobilizar a sociedade civil e pressionar o poder público para maior proteção.
Em setembro de 2024, foi criado o Parque Estadual Ambiental das Árvores Gigantes da Amazônia (Pagam), uma unidade de conservação de proteção integral com 560 hectares. A nova categorização é vista como um avanço, mas não elimina os riscos. A área enfrenta ameaças como garimpo, desmatamento e grilagem. Em 2022, o desmatamento na Amazônia cresceu 23%, sendo a Floresta Estadual do Paru a terceira mais afetada.
O presidente do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor) afirma que as ações para implementação do Pagam estão em andamento, incluindo a criação do Conselho Gestor. A fiscalização na Floresta do Paru é considerada forte, mas o acesso difícil às árvores gigantes oferece proteção adicional.
Especialistas defendem a busca por novas descobertas e o tombamento de árvores gigantes fora das áreas de proteção, além de avançar nas pesquisas e no monitoramento das árvores já conhecidas. A criação de um comitê gestor e de um plano de manejo são considerados essenciais para a pesquisa e a gestão da informação.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



